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Roberto Carlos

Vou começar esse texto dizendo uma coisa que não é novidade pra ninguém: O cara é, sem dúvida alguma, o Rei.

Minha relação com Roberto começou lá atrás, quando eu ainda era menina. Todos os dias ouvia meu tio colocar na radiola os LP’s de RC pra tocar – um santo ritual que se intensificava nos fins de semana. Lembro de uma rádio que tocava o Roberto Carlos especial aos domingos, e esse era o programa que mais se ouvia lá em casa. Nessa época eu morava na casa da minha avó, e meu tio Joia se fez de pai muitas vezes pra mim. Quando pequena eu não era muito inclinada a gostar de Roberto Carlos. Sempre tive o gênio forte e a tendência de falar o que penso, então, ouvir repetidamente aquelas músicas era um certo sacrifício pra mim, que então tinha entre 4 e 8 anos. Mas não tinha como não aprender a cantar, meu tio era fã de carteirinha mesmo. Eu sempre soube cantar as musicas favoritas dele, mas nunca dei o braço a torcer e fui pega cantarolando Roberto Carlos pela casa. É difícil admitir que passei a gostar de uma coisa depois de tanto criticar. Cresci, desenvolvi minha própria personalidade e meu próprio gosto musical. Qual a minha surpresa ao perceber que Roberto estava entre meus artistas favoritos. E porque não estaria? Fez parte da minha infância, adolescência e agora, da minha vida adulta.

Tio nunca teve a oportunidade de ver um show do Rei. Não é uma coisa que qualquer pessoa possa pagar, ainda mais quando se tem uma vida sem muitos luxos – e já fazia um tempinho que Roberto não vinha pra Recife fazer shows. Esse ano ele decidiu vir em três datas, três dias seguidos, na semana do meu aniversário. Eu nunca disse pra ninguém, mas sempre soube que um dia ia levar meu tio pra ver o Rei ao vivo. E esse ano eu pude finalmente fazer isso. Sei que pode parecer besteira pra alguns, mas eu tenho a noção de como é admirar alguém por mais de 40 anos sem nunca ter visto a pessoa de perto. E eu vejo como ele gosta da pessoa que Roberto Carlos é. Não vou nem entrar no mérito da música, porque o cara canta sobre a vida com seus amores, suas tristezas e algerias, de uma forma que ninguém jamais vai conseguir cantar. E fazer tudo isso por uma vida inteira, sendo reconhecido por várias gerações, não é qualquer um que faz.


A minha música de Roberto é “O Portão”. A letra é muito bonita, fala sobre o regresso pro seu lugar, pras coisas que são deixadas pra trás mas que de alguma forma continuam esperando por você. “O Portão” é a minha música porque meu tio a cantava pra mim. Ela começa assim:

Eu cheguei em frente ao portão
Meu cachorro me sorriu latindo
Minhas malas coloquei no chão
Eu voltei…

Meu tio cantava assim:

Eu cheguei em frente ao portão
Rayana me sorriu latindo
Minhas malas coloquei no chão
Eu voltei…

Odiava isso, chorava, fazia o maior drama. Hoje me lembro com carinho das implicâncias do meu tio, fazendo cócegas na minha barriga e cantando O Portão, sorrindo. E quando Roberto cantou essa música, ele encostou a cabeça no meu ombro e depois me deu um beijo, sorrindo. “O cachorro de Roberto Carlos é o único no mundo que sorri latindo!“, ele me disse. Ele sempre repete isso quando escuta essa música.

O show foi lindo. Me senti realizada. Sei que fiz feliz uma pessoa que merece toda felicidade.

Valeu, Roberto.

*

Hoje, um ano atrás: Interpol

Um post com vinte dias de atraso – a vida não anda fácil e eu sou daquelas que agenda o texto pro passado -, mas bora lá.

InterpolInterpolPaul Banks

Pra falar a verdade, este post tem mais de um ano de atraso. Incrível, parece que foi ontem, mas há mais de um ano eu tive o prazer de ver o Interpol tocar ao vivo. Fiquei aqui pensando em mil formas pra começar a descrever o 5 de novembro, mas constinua sendo complicado definir o sentimento de ver uma das minhas bandas do coração ao vivo, ali, bem na minha cara. Eu só consigo me lembrar do tamanho da minha felicidade, dos pulos que dei, das músicas que cantei, das lágrimas de felicidade que chorei. E o meu maior orgulho daquela noite foi ter cantado todo o setlist do show. Todas as músicas. Todas.

Às vezes eu nem acredito que fui tão feliz naquela noite. Poucas coisas vão me fazer sentir tão completa e anestesiada como aquele show. Deitei no chão do quarto, depois de ter voltado do festival, e senti todo o meu corpo dormente, leve, pulsante. Meu coração ainda estava a mil. Foi uma das formas de felicidade mais fodas que já senti em toda a minha vida.

Me lembro de tudo, inclusive de ter dançado tão loucamente a ponto de dar uma cabeçada na cara do menino que tava atrás de mim hahaha. Coitado, ficou todo sem jeito e ainda riu da situação. Pedi desculpas e ele disse “relaxa, acontece”. Acho que ele também estava feliz. É foda demais poder ver sua banda favorita ao vivo. Meu reino por mais momentos como aquele.

E pensar que por pouco eu poderia ter perdido uma das melhores noites da minha vida. Deixei de comprar o ingresso do Planeta Terra Festival 2011 por capricho. Porque se tem uma coisa que é muito errada nesse mundo da música/festivais, é esse lance de só divulgar o line-up das bandas após a venda dos ingressos. Sou super contra essa prática, e por isso não comprei o meu ingresso pro Terra quando abiram as vendas. Nada que eu curtia tinha sido confirmado, então deixei pra lá. E como os Strokes eram headliners daquele ano, as entradas acabaram rapidinho. Dias depois, no trabalho, uma colega me avisa que Interpol confirmou sua vinda pro Brasil e tocaria no Terra. Chorei. Mas chorei de felicidade, me tremendo toda, não acreditando na minha burrice e nem na minha sorte. Mesmo tendo perdido a chance logo de cara, eu sabia que veria o ‘Pol tocar. E eu vi. Naquele dia eu voltei pra casa totalmente em êxtase, em pé num ônibus lotado, muito feliz pelo que eu ainda iria ver. Foi uma notícia tão boa que eu melhorei de humor, esqueci todas as merdas que estavam acontecendo na minha vida, escapei dos problemas. Eu estava prestes a ver o Interpol tocar, porra, depois de tanto tempo! Depois de ter perdido a primeira vinda deles pro Brasil, de ter limitações. Caralho, não tem nada melhor do que a independência e poder realizar, de vez em quando, alguns caprichos. Meus maiores caprichos são pra música.

E eu fui feliz pra caralho no dia em que vi o Interpol ao vivo. Apesar de todas as críticas ao show, aquele foi um dos momentos que mais me fez sentir completa com o que eu acredito. Dancei muito, do mesmo jeito que eu danço sozinha e escondida no meu quarto. No outro dia a banda fez um show extra, no Clash Club, e eu estava lá. Morrendo de sono, mas estava lá. Quando que eu poderia imaginar isso? Que eu veria Paul Banks de perto, mexendo no cabelo, ajeitando os óculos que insistiam em cair dos olhos dele, rindo. RINDO! Eu me lembro exatamente como é a luz azulada batendo no rosto dele e ressaltando os fios arepiados da sua barba ruiva e seus infinitos sinais no rosto. Lembro doo Daniel de olhos fechados, tocando a guitarra. Lembro do pouco que eu vi do Sam, tão escondido tocando a bateria.

Fiquei ao lado das enormes caixas de som. Fiquei surda. Fiquei feliz. Era a minha adolescência e essa minha breve parte adulta, ali, na minha frente.

I have succeeded.

*

Arctic Monkeys no Lollapalooza: Mission accomplished

Quando eu paro pra pensar no que eu realmente senti antes, durante, e agora depois que passou o episódio do show dos Arctic Monkeys na minha vida, consigo definir tudo em uma só palavra: adolescência.

Não sei vocês, mas uma das coisas que mas me faz voltar a me sentir com 15 anos é ouvir música. E eu ouço praticamente as mesmas coisas desde os meus tempos de gente jovem. São os mesmos álbuns, as mesmas faixas preferidas, a mesma admiração e carinho pelos mesmos cantores e bandas. Sou tão jovem que talvez ainda possa me encaixar no perfil de adolescente mesmo, não tenho como fugir muito disso. E estar ali, no meio de uma multidão ensandecida cantando as músicas que fizeram parte dos anos mais marcantes da minha vida, vendo os caras de perto, palpáveis, reais! Pra isso não tem palavra, não tem definição.

Tudo o que eu senti e o tanto que eu me empolguei vendo os Monkeys não tem definição.

É amor, sabe?

É amor de gritar pro Alex que ele tem as orelhas mais lindas do mundo. De perder o sapato e continuar pulando, deixando as outras pessoas pisarem no meu pé – and not a single fuck was given that day. É aquele sentimento bom de missão cumprida, de não conseguir falar nada além de palavrão, de não saber quanto tempo se passou desde que os caras entraram no palco, de não saber pra onde ir e nem sentir as pernas depois que o show terminou. É uma explosão de um sentimento muito bom que só mesmo a música proporciona.

E lá estava eu, me sentindo com 15 anos e pensando nos momentos  em que as músicas dos Monkeys embalaram a minha vida.

Cantei todas as antigas de braço erguido e com o máximo de voz que eu tinha. Sou old school, curto as clássicas e ainda não consegui me acostumar com o último CD deles, mas eu tentei me empolgar mesmo naquelas em que eu não sabia completamente a letra. E acho que o mesmo aconteceu com a galera que estava perto de mim. Tive a sensação de que tinha muita gente jovem que conheceu a banda a pouco, e por isso não sabiam as músicas mais antigas. Uma pena, as antigas são as melhores.

505 me fez chorar.
Teddy Picker me fez quase morrer por falta de ar, de tanto que eu pulei e gritei.
Crying Lightning me fez cantar com tristeza.
Brianstorm foi a coisa mais linda do mundo – todo mundo cantando a intro, fazendo um coro incrível.
I Bet You Look Good on the Dancefloor = puta que pariu, foi onde tudo começou. Puta que pariu! Que música dançante da porra!
The View From The Afternoon me fez ficar porra louca descontrolada.
Still Take You Home é a música mais adolescente de todas, foi um flashback muito louco e empolgado.

Foi do caralho. Do começo ao fim, foi um show do caralho. Só isso.

*

The view from the afternoon (e os macacos do ártico)

Tô zarpando ainda hoje pra São Paulo, e dessa vez pra ver os lindos do Arctic Monkeys no Lollapalooza. E lá vou eu riscar mais um item da lista dos Shows que preciso ver antes de morrer. Sensação boa 🙂

E um beijo especial e antecipado pro Alex Turner, que deve ser um leitor do meu blog pois uma das minhas citações mais famosas tá numa das letras dele. Verdade verdadeira.

Vou terminando por aqui e sem criar muita expectativa pra tudo que está por vir nesse feriado. Parafraseando Alex, que me parafraseou: Anticipation has the habit to set you up for disappointment. Mas eu sei que não vou me desapontar, ao menos não com esses lindos.

Don’t believe the hype.

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