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Karaoke em Boston: melhores hits

Noite de karaoke numa sexta-feira no Hong Kong, Faneuil Hall. Vocês não tem noção de como esse pub é pequeno. E de como esse dia foi foda.

Eu vou confessar: me apaixonei pelos Karaoke Bars em Boston. Eles estão em cada esquina, principalmente no centro da cidade, perto do Faneuil Hall – um conjunto histórico de mercados que abriga lojas, bares e restaurantes super legais e lotados de gente jovem. Os Karaoke Bars mais conhecidos e super visitados pelos turistas (eu!) durante o verão, e pelos locais all-year-round, são o Sissy K’s, Hong Kong e Wild Rover. E este post é um revival dos hits obrigatórios nas noites de cantoria na Beantown. Pega o microfone, sobe no palco, e vem comigo!

Não tem tempo ruim num karaoke bar, já que a galera vai mesmo pra se divertir sem se preocupar com a opinião alheia. Lembro a primeira vez que fui no Sissy K’s, jurando que seria um pub comum, e fui pega de surpresa por um Karaoke Contest em plena segunda-feira. Foi a melhor noite que tive em Boston. No início é super incômodo ouvir a galera cantando, porque tem gente que canta mesmo muito mal, chega a ser constrangedor! Vale citar que nos pubs e bares de Boston sempre todo ta mundo muito bêbado, então a galera perde mesmo o critério e nada mais justo do que se juntar ao crowd. Depois de dar uma chance pro pub, e, claro, depois de tomar sabe-se lá quantas Miller Light draft que custavam apenas $ 1 (!!!!), tudo vira uma maravilha. Outra coisa massa é que você pode escolher QUALQUER música que o DJ vai botar pra você cantar. Sério, escolha qualquer música. Sei de um Karaoke na cidade que é super famoso entre turistas e imigrantes, onde a galera vai pra cantar músicas em português, coreano e até mesmo em árabe. Outros spots, como o Hennessy’s, tem uma banda ao vivo tocando pra você cantar. É muito massa.

Geralmente eu ia mais pelo people-watch mesmo, pra ver como os americanos se comportavam, conhecer gente e praticar o meu inglês. #Antropóloga. A galera sempre vai em turma, é super divertido de assistir, porque os americanos tem um comportamento muito mais amigável na noite do que os brasileiros. Mesmo sem te conhecer, eles te suportam, incentivam a ir cantar, conversam e torcem por você. Eu até que arrisquei a voz algumas vezes e subi no palco, hahaha. A primeira vez eu cantei Umbrella, da Rihanna, no Sissy K’s. A sensação é ótima, indescritível! Ver o pessoal de cima do palco, cantando junto com você, mesmo quando você tem uma voz horrenda e não sabe a letra… velho, é muito massa. Eu sou super tímida pra essas coisas, mas como diria Miley Cyrus, “…when the DJ dropped my favorite tune, and the Britney song was oooooooon!!!! So I put my hands up, they’re playing my song, and the butterflies fly awaaaaaay“. Eu tinha mesmo que perder a vergonha e aproveitar as minhas parties in the USA.

Grace, minha amiga ítalo-americana era fanática por karaoke. Toda vez que saíamos juntas ela cantava clássicos do Michael Jackson, Madonna e Backstreet Boys. Teve um dia que ela tava num date e cantou Total Eclipse Of The Heart, de Bonnie Tyler, com o cara hahaha. Acho até que naquela noite eles ganharam os $250 de prêmio do Wild Rover. Já Steven, meu coroa americano favorito, sempre cantava as mesmas músicas, não importa se o bar fosse diferente – foram três meses de amizade, e três meses ouvindo o mesmo repertório praticamente toda noite.

Então, essa é a minha playlist dos hits que eram obrigatórios nas noites de cantoria em Boston. Pode dar play e cantar, sem vergonha nenhuma, aí do outro lado do computador.

Hit Me Baby One More Time – Britney Spears

Taí um clássico das americanas em geral. Acho que em 99% das noites que eu saí pra uma karaoke night vi as meninas cantando Baby One More Time. É hino. E o massa é ver as loucas todas subindo no palco pra cantarem juntas, uma tomando o microfone da outra e fazendo a coreografia do clipe! hahaha Até cogitei sair fantasiada de Britney no halloween, de tanto que ouvi cantarem essa música. Mas Britney morena só em Toxic, né gente.

Tubthumping (I Get Knocked Down) – Chumbawamba

Feche os olhos e imagine um grupo de caras loiros, ultra-bêbados (e usando boné à noite) cantando essa música. E nenhum deles sabia a letra. Sério. Sempre.

Don’t Stop Believin’ – Journey

Clássico do rock indispensável, sempre tinha uma louca cantando essa. Quando não, era um grupo de amigos já bêbado em cima do palco, onde nenhum acertava o timing da música.

All Star – Smash Mouth

Direto do finzinho dos anos 90. Hey now you’re an All Star, get your game on – go play!

Get Low – Lil Jon & The East Side Boyz

To the windoooooow! To the wall! Till the sweat drop down my balls! Till all these bitches crawl! To all skeet skeet motherfuckeeeeeeers!!!!!!!!!!! CLÁSSICO! Velho, Get Low é CLÁSSICO! Sabe aquela hora da noite em que você sabe que vai ver uma cena engraçada? Tipo, showtime? Era quando alguém subia no palco pra cantar Get Low. Lembro da primeira vez que fui pro Sissy K’s com Sachi (alguém aí se lembra das pérolas proferidas pela japa nesse dia?) e botaram Get Low no Karaoke. Eu comecei a rir, né! Porque não tem como a pessoa ficar séria ouvindo essa música. Sachi ficou só olhando pra tv, acompanhando a letra… depois ela virou pra mim e falou: “- Rayana, o que essa música quer dizer?”. E eu respondi, já chorando de rir: “- Sachi, você quer mesmo saber?”, e tive que explicar, né. A coitada ficou passada, hahaha “- OOOOH, REALLY? OH MY GOD!!!!”. Pois é, Sachi. Pois é.

Everybody (Backstreet’s Back) – Backstreet Boys

Er’body… Yeah! Rock ur’body… Yeah! Velho, apenas tenho a dizer que: se eu não gostava de/conhecia a letra das músicas dos Backstreet Boys, passei a gostar/conhecer praticamente todas. Se tinha uma mulher no karaoke, certeza de que ela cantar BSB/Britney. Não tô reclamando, eu amava. O melhor era a galera fazendo a coreografia do clipe, haha. Saudades-americanos-bêbados.

Sweet Home Alabama – Lynyrd Skynyrd

Os anos 70 mandando um abraço com Sweet Home Alabama. Essa música faz parte da playlist porque, como eu comentei anteriormente, Steven tinha TOC e só cantava as mesmas músicas, SEMPRE, no karaoke. Então, se eu estivesse com Steven, eu ouviria essa música. E, ó, o coroa arrasava muito cantando.

I Want It That Way – Backstreet Boys

Backstreet Boys de novo, lógico.

Sweet Caroline – Neil Diamond

Essa música é um dos hinos de Boston Red Sox, time de baseball mais amado da cidade (e, quem sabe, do mundo?). Se o Sox estivesse jogando, ou tivesse vencido um jogo na semana, pode ter certeza de que alguém cantaria Sweet Caroline. Trivia: quando eu saí num date com B., ele cantou essa música pra mim 🙂

*

Queria encontrar um lugar massa, com uma galera massa, pra cantar aqui em Recife. Eu sei que isso não vai acontecer, porque o povo dessa cidade é uma morgação só. Então vou ficar aqui revivendo minhas memórias bostonianas, e esperando o dia em que eu possa voltar pra arrasar no karaoke nessa cidade linda.

*

Oh, the irony of life

Eu acho que sempre consegui segurar bem a barra de ficar sozinha. Filha única, pais divorciados, anti-social, independente, decidida, individualista, egoísta… represento bem todos esses papéis, e até acredito no antes só que mal acompanhada. Vim pros Estados Unidos sozinha, da mesma forma em que sempre vou pros lugares: decido, organizo e vou. Vou sozinha, mas não deixo de ir. E era assim que estava sendo a minha vida ultimamente aqui em Boston, semanas e semanas indo pros bares sozinha; visitando os pontos históricos sozinha; comendo sozinha.

Cansei.

Agora que as minhas aulas terminaram eu tô com muito tempo livre. Tipo, 24 horas pra fazer o que eu bem entender. Sozinha. Sério, o quão deprimente pode ser isso? Só pra deixar claro, eu não vim passar três meses no exterior por que precisava ~me encontrar~ ou ~fugir dos meus problemas~. Vim pra cá porque, né, sempre quis conhecer os states e não queria deixar esse intercâmbio pra depois – esse é o tipo de coisa que se faz quando se é jovem. Vim de buenas, sabendo que iria ter que ficar sozinha e me virar, mas isso nunca foi problema pra mim. Então aqui estou eu, sem expectativa nenhuma, num país estranho, tentando me divertir.

Sozinha, vejam bem.

Continuo indo pros pubs, sentando no bar e pedindo a minha bud light. Não vou deixar de fazer isso. Mas tenho feito isso todo.santo.dia. Ontem deu até medo de tar viciada em álcool, dei o primeiro gole na cerveja e senti uma sensação maravilhosa. Parei na hora. Meu avô era um alcoólatra, então morro de medo de ter tendência pra isso. Mas quando eu paro pra pensar nas outras opções que tenho pra me divertir… hmmm… é, eu até posso testar lugares novos, com pessoas novas, mas a conversa vai ser a mesma.

Senti saudade do Brasil pela primeira vez nessa semana, e não sei se quero mais procurar um trabalho pra ficar aqui. Sinto saudade das pessoas, do cheiro do meu quarto, da comida de mainha, do sol e do calor, da praia… sinto falta do senso de humor do meu povo. Chega uma hora que cansa ouvir todo mundo sendo sarcástico, eu só quero que as pessoas sejam sinceras e diretas quando tiverem numa conversa comigo, porque eu tenho essa tendência idiota de acreditar no que me dizem. Cansei de ouvir “just kiddin”. Eu tava até conversando com Daniel anteontem sobre isso, ele é irônico e sarcástico o tempo todo comigo, e eu acabo ficando triste ou me ofendendo com as merdas que ele fala brincando. “Eu tô sozinha aqui, longe dos meus amigos e da minha família, e em três meses eu não fiz nenhuma amizade de verdade. Pare de me fazer ficar triste”. Tive que falar isso, tava foda. E ele parou com as idiotices. Ainda me disse que achava que eu tava ~tirando onda~ quando pedia pra ele parar. Vejam bem, ninguém se leva a sério por aqui.

Enfim. Tô triste hoje.

*

Brazil: Wait… WHAT?

Americano é alienado. Eu tinha a fantasiosa ideia de que aqui em Boston, a cidade conhecida como a Atenas da América, as pessoas teriam um pouco mais de noção sobre o que acontece no mundo. Sonho meu. Americano é americano, e vai ser alienado em todo e qualquer lugar. Já ouvi cada pérola aqui que, meu deus, tenho minhas dúvidas se esse povo realmente estuda alguma coisa relacionada ao mundo exterior durante o high school.

Pra mim é sempre fácil conhecer gente nova aqui; até com as meninas eu faço sucesso. Semana passada mesmo eu tava no Sissy K’s e duas meninas puxaram um assunto super randômico comigo, minutos depois eu me vi dançando com elas e ouvindo “Hanna, we love you!”. Isso mesmo, Hanna. Já desisti de usar o meu primeiro nome aqui. Americano não faz um mínimo esforço pra entender ou pronunciar o seu nome corretamente, e eu não gosto de ser chamada de Rihanna. É mais certo me chamarem de arroz-doce do que acertarem a pronúncia de Rayana. E nem é tão difícil, gente, eu já cansei de explicar: imagine que você está dizendo Hi pra uma menina chamada Ana. Simples assim. Mas não. Então da pra entender o porque de tantos orientais inventarem um nome americano aqui. Tem muita Chun-Li dizendo que é Jenny por aí.



Não está sendo fácil… Não está sendo fácil viver assim…

E se não ta fácil usar o meu lindo nome, imagina dizer que sou de Recife? Americano não tem noção de geografia. E eu nem tô pedindo pra que me apontem no mapa onde fica a minha cidade, não é isso. Eu percebi que, infelizmente, Recife não é nada nessa balada da globalização. Eu tô tão acostumada com o povo no Brasil me chamando de NORDESTINA, que acho super estranho quando o povo aqui nem sabe qual é a capital do nosso país. Vamos ao diálogo número um deste post:

– Hey, where are you from?
– Brazil.
– BRAZIL? WOOOOOOW! COOOL!!!! Where in Brazil?
– Recife.
– Oh. Is Recife close to Rio?
– It’s just a 3 hours flight, I think.
– Ah, cool. But do you like Rio?
– Never been there.
– How come? Isn’t Rio the capital of your country?
– No.
– REALLY?

É, eles fazem cara de espanto. Quando não é isso, perguntam se eu sei sambar. Não, não sei. Já me perguntaram se tinha muita floresta onde eu moro, porque eu sempre tento relacionar Recife ao NORTE do país. E, gente, o que tem ao norte no mapa mundo? Uma mancha verde -> a floresta amazônica. Eu já comecei a dizer por aqui que sou do Rio, só pra evitar transtornos. Então, pros americanos, o mundo realmente é assim:

Mas pior que isso mesmo, só as pessoas achando eu eu falo espanhol. Sério, galera?

– Where are you from?
– Brazil.
– !HOLA! MUCHO GUSTO!
– I don’t speak spanish.
– WHAT? So what language do you speak?
– Portuguese.
– Oh.

É, super decepcionante. E, tipo, eu até consigo entender espanhol, mas não vou perder meu tempo tentando ter uma conversa em espanhol com uma pessoa que fala inglês, sendo que eu falo português. Não posso, estou muito nova, e também não quero.

Perguntei a alguns dos meus fellows americans o porquê de tanta ignorância. A resposta: Estudamos apenas a história dos Estados Unidos e da Europa. E apenas sobre os países que estiveram envolvidos em guerras com os EUA.

BOOOOM!!!!

Agora faz sentido. Enquanto a gente se fode no colégio pra aprender sobre a vida na Roma antiga e o Empério Bizantino, a galera aqui ta pouco se fudendo pro que acontece no hemisfério sul do planeta. Conquista Espanhola da América: WHAT? Napoleão Bonaparte: o que é isso? (já ouvi essa pérola por aqui). Lembro bem que tive que estudar os Cinturões Agrícolas, ou Belts, da economia agrícola norte-americana. Gente, eu sei até coisas sobre as grandes regiões agropecuárias do país de vocês. É estranho, mas eu sei. E a galera nem pra fazer um esforço BÁSICO (pra mim, é básico) de saber que o Brasil foi colonizado por Portugal, e não pela Espanha. Portanto, falamos português – e não BRASILEIRO, como muita gente chegou a me questionar.

Enfim, é frustrante.

Diretamente de Boston, Massachusetts, Hanna Verissimo (Rio de Janeiro, Brazil).

*

Pérolas da Japa

Durante o meu primeiro mês aqui em Boston eu tô ficando numa homestay. Isso significa que divido a casa com uma família americana e com outro estudante da minha escola. A minha housemate é a Sachi, japonesa de Kyoto, que me mata de rir com umas abestalhices dignas daquelas amigas tabacudas de colégio. Quero guardar nesse post algumas das pérolas proferidas pela Sachi – a japonesa mais alegre que eu já conheci.

Pérola #1

No Sissy K’s, enquanto conversava com o tio velho e barrigudo vestido com uma camisa do Alaska, Sachi já dava sinais de cansaço (pense numa pessoa pra dormir cedo). O tio – bizarro, por sinal – pergunta:

– Are you ok?
Sachi desmiolada, achando que ele tinha perguntado se ela era GAY, responde:
– No! I’m straight!

Pérola #2

Ainda no Sissy K’s, um cara vem puxar assunto comigo e tal. Izak o nome dele. Super gente fina, com sotaque britânico (!!!!), simpático, cheiroso, marinheiro, LOIRO, etc (CASA COMIGO!!). Enfim… papo vai, papo vem, Sachi resolve se meter na nossa conversa e pergunta de onde ele é.

– Where are you from?
– I’m from South Africa.
– AFRICA????????? REALLY?? BUT… AFRICA??? BUT… YOU ARE WHITE!!!!!!

O mundo precisava ver a minha cara de constrangimento diante dessa cena. Tipo, povo da África do Sul é branco, né.

– SACHI! Don’t say that! haha Oh my god, this is so embarrassing! – euzinha, morta.
– That’s ok. I get that a lot. – Izak, já morrendo de rir.
– But… AFRICAN!!

Pérola #3

Mesma noite (POIS É), saindo do Sissy K’s, Sachi senta num banco, desses de praça, em frente ao pub. Enquanto eu converso com Izak, ela conversa com Steven, um coroa super gente fina que tava encantado pela japa – e mesmo assim, não tentou nenhuma investida. Steven, trêbado, vivia me dizendo “She’s so pretty, but she’s so young…”. Enfim, a gente tava lá nos bancos, ela e Steven de costas pra gente, num banco da frente, quando um mendigo se aproxima de mim e de Izak, pedindo dinheiro. Como Izak não tinha nenhum trocado, o mendigo foi pedir a Steven. Nisso, Sachi abre a boca pra contar, num inglês-japonês, a seguinte história:

– In San Francisco my friend hired a homeless guy to be his bodyguard! To protect him! I don’t know why, because he already have BIG MUSCLES. But he hired a homeless guy to be his bodyguard for two dollars!

EU.MORRI.DE.RIR.

Gente, ela tava MUITO bêbada. Eu devia ter filmado essa cena. A coitada ficou repetindo essa história mil vezes, falando que o amigo coreano/musculoso (??? tenho minhas dúvidas de que isso exista) contratou um mendigo pra ser seu guarda-costas.

Aí eu falei:

– Sachi, you should hire a homeless here in Boston to protect you.
– In San Francisco was only two dollars. Here in Boston… hmm… I… I don’t know. Maybe homeless guy is more expensive here in Boston.

HAHAHAHAH ELA CONSIDEROU ESSA POSSIBILIDADE.

E claro, ela foi falar com o mendigo.

Minha gente, imaginem uma japa toda kawaii, BÊBADA, super simpática, indo falar com um mendigo pra saber quanto ele cobrava pra ser o segurança dela? Izak tava chorando de rir com a situação; Steven só dizia “What the fuck???”. E eu, bem, eu nunca mais vou esquecer da melhor noite que tive em Boston até agora.

Esse dia foi foda.

*

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