Uns goles e algumas decepções

terça-feira, 08 de maio de 2012 / Diário / Comentários { 00 }

Eram umas quatro e meia da tarde e eu já estava tomando uma cerveja. Terça-feira, no meio do expediente, e eu estava tomando uma cerveja. Àquela altura eu nem estava me sentindo triste nem nada, eu só queria fazer alguma coisa diferente pra sentir que eu posso sair da minha rotina e me surpreender. A verdade é que eu não me surpreendi com nada. Hoje é um daqueles dias em que as coisas pequenas ganham proporções estranhamente significantes, quando eu me sinto incomodada por besteira, achando que as pessoas do meu convívio não se importam com o que sinto. Pra falar a verdade, eu não espero muito que ninguém se importe com nada, mas o problema é o dia de hoje.

Fiquei pensando que eu não me importo muito com ninguém, então ninguém deveria se importar comigo. Eu me esforço pra conseguir, mas é difícil. E o pior é não ser cem porcento pras pessoas que importam. O geral é o geral. Mas é meio decepcionante quando uma pessoa pra quem tu guarda um pedaço desse tão sofrido carinho não retribui. É triste, mas a recíproca não é verdadeira. E aí, é em uma besteirinha, numa uma terça-feira aparentemente normal, que isso se mostra nítido. Por essas e outras que não é bom depender de ninguém. Eu lembro de ter dito anteriormente que gosto muito de depender dos outros, que eu não sou e nem quero ser autosuficiente, mas tem gente que deveria retribuir. E eu fico pensando que se fosse o contrário eu não iria agir assim “porque eu gosto de verdade de tu”. E é difícil me fazer gostar de verdade. Acabo me sentindo idiota e me afasto.

Uma das coisas que mais contribuem pra essa minha incapacidade de manter as amizades é a merda da retribuição. Deveria existir um dispositivo que mostrasse a compatibilidade de amizade entre as pessoas. Oi, fulano, essa é Rayana. Prazer. Bip, bip, bip. Vocês serão ótimos amigos. Seria muito útil. É que eu não gosto de me sentir vulnerável, e amizade faz isso comigo. E eu também fico tentando agradar. Essa é a pior parte de todas, com certeza. Ninguém gosta de um puxa-saco, bajulador, cabeça fraca… e eu acabo me tornando tudo isso quando gosto realmente de um amigo. Nem eu gosto de mim quando tenho amigos. Mas sinto falta de pessoas que mesmo quando decepcionem sejam especiais.

Mas as coisas pequenas ainda incomodam. E não me sentir querida ainda incomoda. Pensar tudo isso incomoda muito, porque não sinto que tenho alguém pra ouvir minhas opiniões. E isso me faz lembrar daquela cerveja que eu tomei, de pé, com as pernas cruzadas, achando o sabor muito bom. Eu não gosto de cerveja. Mas eu bem que estava merecendo um sabor diferente pra hoje.


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