100 dias

sábado, 04 de maio de 2013 / Intercâmbio / Comentários { 2 }

Agora essa porra ficou séria.


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B.

terça-feira, 16 de abril de 2013 / Diário / Comentários { 00 }

Desde ontem eu tenho me perguntado o que leva as pessoas a agir com tanta violência. Um tipo de violência diferente da qual estou acostumada; daquela que costumo ver acontecer aqui nos trópicos. Já fui vítima e já fui testemunha, mas em proporções e situações totalmente diferentes. Ter uma arma apontada pra você, entregar os seus pertences e ter a chance de fugir é muito diferente de ser vítima de um atentado terrorista. A “troca” da sua vida pelos seus pertences até parece justa. E eu não consigo parar de pensar no que motiva uma pessoa fabricar uma bomba e explodí-la no meio de civis. De homens, mulheres e crianças. Pais, mães, filhos, avós, sobrinhos. Pessoas queridas. Inocentes.

Quando eu soube do atentado à Maratona de Boston, tomei um choque. Tremi, me arrepiei. Senti medo – muito medo da loucura alheia. O dia de ontem era o mais esperado do ano pr’aquela cidade, a Boston Marathon é a maratona mais importante e mais antiga do mundo. Como qualquer maratona, é símbolo de paz e superação. Acompanhei, a 6707 km de distância, os seus preparativos. Vi as fotos da corrida, dos vencedores e de famílias na torcida. Vi a alegria acabar em morte, em perda. Não faz sentido. Não faria sentido aqui, onde vivo, e não faz sentido lá. O medo que tomou conta de mim foi o mesmo que senti 11 anos atrás, quando o WTC ruiu. A gente fica procurando sentido nas coisas, mas não tem. Nunca vai ter.

Junto com a explosão, o que mais me impressionou foi ver que as pessoas são acolhedoras em momentos de tragédia como esse. “Um efeito colateral da tragédia é que é oferecida às pessoas a oportunidade de provar sua bondade”, disse Eric Randall num artigo no Boston Magazine. Nem todo mundo é capaz de ajudar estranhos – eu mesma não sou completamente – e ver cenas de apoio aos feridos e necessitados restaura a minha fé na humanidade. Em face da violência e destruição, continuamos a ver a compaixão. Isso é o que somos. Pessoas abrindo suas casas para quem precisa de um lugar para ficar, doando sangue, comida, conforto. É isso o que somos. Ver os Estados Unidos se unir e sentir uma única dor me comove. Não quero que isso soe errado, como se eu fosse americanizada ou apoiasse sua política. Não é isso. Diferentemente de nós, brasileiros com complexo de inferioridade, eles sabem quem são e qual a sua importância. Uma nação que pode colocar de lado suas diferenças e se unir em tempo de necessidade. Não enxergo isso em nós. Não enxerguei no incêndio trágico em Santa Maria, não enxerguei nas mortes causadas pela chuva no Rio ou aqui no Nordeste. O que nos afeta não nos afeta por completo. Claro que vivemos em cenários diferentes, mas tudo o que aconteceu ontem em Boston poderia ter sido numa avenida movimentada da sua cidade, ou no seu restaurante favorito. Ainda assim, tenho a sensação de que para nós seria diferente.

Se tudo der certo, estarei indo pra lá em agosto, e há muito já adotei a cidade. Entrou no meu coração, junto com Recife. Estou namorando à distância com Boston. Quero que sua história faça parte da minha; quero ser sua amiga e poder dizer que a amo; quero saber qual cheiro a cidade tem. Sou dessas, me apaixono por lugares. Mas o que eu mais quero mesmo é poder tocar em seus prédios históricos. Ali viveram revolucionários, pensadores, heróis. Respeito isso.

Respeito seu passado e seu futuro.

Boston, stay strong.


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O dia em que eu perdi o show do Franz Ferdinand

segunda-feira, 08 de abril de 2013 / Diário / Comentários { 5 }

Quando eu digo que ando sem sorte, ninguém acredita.

Acho que a minha adolescência musical foi um pouco diferente da dos meus amigos. Eu não ouvia Backstreet Boys, Spice Girls ou Britney Spears. Eu ouvia Death Cab for Cutie, Sons And Daughters e The Libertines. Nunca compartilhei com meus colegas de classe ou amigos de rua o mesmo gosto pela música, e claro que isso me excluía das rodas de conversa e dos programas em grupo. O máximo que eu tinha em comum com os jovens dos anos 2000 era a MTV, e nem dela eu gostava tanto assim – repetitiva, medíocre, rasa. A sensação de que todo mundo conhece e todo mundo gosta da mesma coisa, quando se trata de música, nunca me deixou muito confortável. E quando se tem 14 anos, as suas bandas indie favoritas não deveriam aparecer num canal aberto de tv.

Eu sempre passei mais tempo na internet do que no mundo real, e algumas pessoas que me influenciaram muito musicalmente eu nunca cheguei a conhecer de perto, ao vivo, em carne e osso. Uma delas é a Lu. Carioca, fã do Franz Ferdinand. Lembro que a gente competia pra ver quem tinha mais musicas listadas no Windows Media Player, e Lu sempre ganhava. Sempre tive a impressão de que ela vivia para a música, e mesmo sendo mais jovem que eu (e do que qualquer uma das nossas amigas de internet), ela sempre tinha uma banda nova pra compartilhar. E foi ela quem me apresentou a banda escocesa Franz Ferdinand, por volta de 2004. Curti na hora, os caras eram bons e despretensiosos. E passaram a fazer parte do meu dia a dia musical de adolescente, até hoje eles fazem parte, e provavelmente farão até o fim dos tempos.

Não sou fã incondicional do FF, mas sei que o papel deles na minha vida foi muito mais do que importante. Por exemplo: numa entrevista, Alex Kapranos, vocalista do Franz, disse que uma das bandas que ele curtia era o Interpol. A Lu, fã do Franz, compartilhou a música do Interpol comigo, e hoje o som dos caras é a trilha sonora da minha vida. Por esse motivo e por tantos outros eu tenho um carinho enorme por esses quatro caras de Glasgow, e quando eu recebi a notícia de que eles finalmente viriam tocar em Recife, eu sabia que precisava ver eles ao vivo. Porque pra mim não existe nada melhor do que me sentir adolescente de novo, quando a música me permite.

O show do Franz Ferdinand estava marcado pro dia 28 de março, uma quinta-feira, às 21h. Enlouqueci, chorei, me arrepiei. Devo ter sido uma das primeiras pessoas a comprar o ingresso. Já estava ensaiando o setlist, desenferrujando algumas letras antigas, aprendendo umas novas. Esse post estava programado para a categoria Shows para ver antes de morrer, mas eu ando numa maré de azar que só vendo pra crer. No dia do show, cheguei em casa cansada pra caralho e resolvi dar um chochilo. Caguei no pau.

Deitei pra dormir ~apenas uma horinha~. Às 19h30 eu me deitei descansar um pouco e acordar mais disposta pra ir ao show. Capotei. Acordei às 00h20.

Perdi o show. Fudeu.

Só deus sabe o tamanho do pulo que eu dei da cama, sério mesmo. Sabe quando a gente tem aquele estalo de que deixou de fazer alguama coisa importante? Velho, lembrando agora é engraçado pra caralho, mas na hora foi desesperador. Eu saí correndo pela casa, sem saber o que fazer primeiro. Fui procurar uma roupa pra vestir, peguei a primeira calça que vi pela frente, prendi meu cabelo, chamei um taxi, liguei pra Jacqueline (com quem eu tinha marcado de me encontrar no show), escovei meus dentes, tremi, olhei no espelho a minha cara amassada de sono. Sei lá, eu nem sabia o que estava fazendo. Só sabia que já nem ia adiantar mais essa agonia toda, eu já tinha perdido o show. E poucas coisas são tão importantes pra mim quanto um show que provavelmente eu só verei uma vez na vida. Gasto rios de dinheiro, mas faço o impossível pra ver ao vivo as minhas bandas do coração. Só que não dessa vez. Dessa vez eu DORMI.

Quando eu finalmente consegui falar com Jacque, tudo o que eu ouvia no celular era o som dos caras ao fundo.

- Tais onde? Eles tão tocando a última música!
- Tô em casa. EU DORMI.

Velho, eu tive uma crise de riso. Que coisa idiota do caralho, eu DORMI quando deveria estar fazendo uma coisa massa, que eu tanto gosto. DORMI, quando eu poderia estar dançando Michael, cantando Darts of Pleasure, enlouquecendo em Tell Her Tonight. Eu DORMI.

Aí, quando a ficha caiu e eu vi que a merda estava feita, cancelei o taxi e liguei pro namorado. Fui super julgada.

- Amor, perdi o show, dormi.
- Meu.Deus.

Olhei pro ingresso e me senti idiota. Até agora, enquanto escrevo, me sinto idiota pra caralho. Que tipo de pessoa gastar quase R$ 100 num ingresso de show e DORME?

Resposta: Eu.


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Cataploft!

quarta-feira, 27 de março de 2013 / Como sufro, Diário / Comentários { 6 }

Uma imagem vale mais que mil palavras:

~chatiada~

Sei que tô numa maré de azar quando até cair do ônibus eu caio. Assim, sem nem saber como, sem nem perceber como foi que o meu pé perdeu o último degrau, eu me vi no chão. E se tem uma coisa que é humilhante pra caralho é a tal da queda. A primeira coisa que me vem na cabeça quando lembro dos milhares de tombos que levei nessa vida, é a imagem dos meus coleguinhas de escola rindo da minha cara – criança não perdoa, é foda. Ninguém te ajuda, a graça mesmo é rir da pobre criatura que está no chão toda ralada. Não julgo, já que eu também não sou muito prestativa e gosto mesmo é de rir da desgraça alheia. Só que, né, quando é com a gente não tem tanta graça.

Estava voltando do trabalho na segunda-feira – o dia internacional do namorado tá de folga, vou me arrumar linda pra ser amada. Pra chegar em casa eu preciso pegar dois ônibus (posso até pegar só um, mas sou moça bonita e tenho medo de ficar esperando ônibus sozinha), e na descida do primeiro eu caí. Caí, me estabanei, ralei o joelho, torci o pé. CATAPLOFT! Só percebi as pessoas olhando pra mim com espanto. Ninguém riu.

Vamos ilustrar a cena com alguns gifs animados.

ploft ploftploft

O ônibus foi embora e eu fiquei lá no chão, amparada pelo meio fio.

– PUTA QUE PARIU, CARALHO, NÃO ACREDITO AFFF COMO SOU IDIOTA! – gritei mentalmente.

A dor foi tão forte que eu nem consegui me levantar na hora. Achei a maior idiotice eu, com vinte e três anos de idade na cara, levar uma queda no meio da rua, na hora do rush. Uma moça vinha passando na hora e me amparou, segurou minha mão, pegou minha bolsa e ofereceu o celular pra que eu ligasse pra alguém. Peguei o celular dela e não conseguia lembrar de nenhum número, minhas mãos tremiam, eu comecei a chorar de dor. Humilhante. Me segurei numa árvore e ergui meu corpo usando só os braços. Humilhante. Um rapaz veio correndo pra me ajudar, perguntou se eu conseguia me levantar e como a resposta que eu dei foi negativa, ele me pegou no braços e me levou até um bar no Mercado da Madalena, onde fui devidamente colocada numa cadeira. Humilhante.

Ninguém falava nada, tinha gente que nem olhava pra mim. E galera, eu CHORAVA. Chorava como se não houvesse amanhã, porque fui dar uma olhada no meu pé e percebi que ele estava torto e com um inchaço do tamanho de uma laranja no meu tornozelo. Na hora pensei que tinha quebrado o pobre coitado do meu pé. Queria até publicar a foto dele aqui, mas é uma coisa muito nojenta. Quem viu, viu; quem não viu, só na próxima queda. ~bate na madeira 3 vezes~

Chorava, chorava, chorava. A moça que segurou minhas bolsa se ofereceu pra ficar comigo até que alguém chegasse. Muito boazinha ela, deve ser crente. Liguei pra Rhaul e ele já atendeu assustado, sabendo que tinha acontecido alguma merda comigo.

– Amor, caí, quebrei o pé, ta doendo, me ajuda! ;((((((

Uns cinco minutos depois ele já estava me colocando nos braços e me levando até o carro. Aí já não achei mais humilhante, foi bem romântico. Deu vontade de me acidentar mais vezes, só que sem a parte da dor, haha. Daí fui levada pro hospital de traumas e fraturas, onde levei uma injeção anestésica, tirei raio-x e ganhei uma botinha ortopédica pra usar enquanto o pé estiver podre. Nessas horas que eu me acho genial por ter feito um plano de saúde. Saí do hospital numa cadeira de rodas, ornando uma bota imobilizadora de arrasar.

Como resultado dessa desventura, ganhei também um tornozelo torcido e um pé infinitamente inchado. Quase três semanas depois da burrice (porque só sendo burra mesmo pra cair do ônibus), mal consigo andar sem parecer uma coxa, com uma perna mais curta do que a outra.

Mas como meus coleguinhas de trabalho disseram,

isso isso isso isso


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150 dias

sexta-feira, 15 de março de 2013 / Intercâmbio / Comentários { 5 }

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Sim, sim: estou amando esse aplicativo de contagem regressiva. Na imagem, o Quincy Market, que fica ao lado da escola onde eu vou estudar em Boston.

Cento e cinqüenta dias para a minha viagem. Já me parece pouco. Provavelmente eu só vou acreditar que isso tudo é verdade quando estiver dentro do avião; ou quando eu estiver em Boston. Estou organizando as coisas aos poucos. Como falei no post anterior, já estou com passaporte em mãos, e recentemente terminei de pagar todo o curso à STB. Algumas semanas atrás recebi o I-20, que é a carta de aceitação da escola dizendo que eu estou apta a estudar nos estados unidos. Deu um médio medo de estar com esse papel. Cada pequeno passo me deixa mais próxima do meu objetivo, mas ainda tenho medo de ter o visto negado, de não conseguir organizar tudo a tempo… Se bem que venho a quase dois anos com essa ideia na cabeça (e com o planejamento financeiro, lógico), mas ainda fica o medo de deixar algo passar. Sou medrosa. Mas é engraçado perceber que eu, de vez em quando, meto a cara pra resolver as minhas próprias coisas.

Já comprei uma bolsa para levar como bagagem de mão – muito linda por sinal, porque quero chegar arrasando -, já que só tenho uma mala de tamanho médio, que comprei pra não ter que ficar pedindo as malas das amigas pra viajar. Também ando bem ansiosa pra comprar roupas e guardar pra só usar lá haha. Cada nova compra é mentalmente tagueada como para usar em Boston. Preciso parar com isso, porque sei que roupas são bem mais baratas nos Estados Unidos, mas eu não consigo me conter em gastar o meu dinheiro por aqui – que por sinal vale bem menos da metade do que valeria por lá. Isso é outra coisa que me deixa arretada: tudo o que eu salvo de dinheiro se transforma na metade. Triste realidade, mas quem converte não se diverte.

Como as minhas aulas vão durar dois meses apenas, estou tentando me organizar para ficar, pelo menos, mais 15 dias na América. Quero fazer uns cursos e workshops de design na MassArt, a Massachusetts College of Art and Design. Tô bem animada pra isso, pois a universidade tem vários cursos de verão de Continuing Education, focados em aulas para profissionais e aspirantes. Estou esperando a abertura das inscrições pra ver direitinho como vai ser. Comecei a acompanhar uns grupos no MeetUp, exclusivos pra estudantes internacionais vivendo em Boston – tem até um pra mulheres que trabalham com desenvolvimento e design pra web, e lá as meninas organizam encontros e workshops! Também quero aproveitar e ficar umas semanas em Nova York. Aff imagina que chic hauahaiaha Vou morrer se um dia pisar na Big Apple – é o meu lugar dos sonhos, o único que eu sempre tive vontade de conhecer desde que me entendo por gente.

Ah! Outra coisa massa: no meu primeiro fim de semana em Boston, vou para o show do Justin Timberlake! Haha Quando vi que a nova turnê de JT vai passar por Boston, comprei logo o meu ingresso. Então, no dia 10 de agosto estarei no Fenway Park trazendo o sexy back!

Taí a confirmação de compra do meu ingresso – espero ter escolhido um bom lugar, porque o Fenway Park é um estádio de baseball. E no baseball tudo é muito confuso.

150 dias.


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Hoje, um ano atrás

segunda-feira, 11 de março de 2013 / Hoje, um ano atrás / Comentários { 01 }

Domingo, 11 de Março de 2012:
Tédio e self-portrait.
Minha nêga preguiçando.
Um dos episódios mais lindos de True Blood.


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